quarta-feira, 13 de agosto de 2008

11/08 Noite Rock - Camacha


E lá foi mais uma edição do ART’Rock na Camacha.

Como é habitual esta organização cede prioridades a projectos residentes na Camacha ou que tenham pelo menos um elemento que seja da zona, projectos estes da vertente (e como diz o nome) “Rock”.

No entanto como há ou parece haver poucas bandas regionais, e também locais, acho que a organização vê-se obrigada a ampliar o espectro de envolvência, abraçando assim os projectos musicais compostos por uma sonoridade que não segue as habituais linhas do folclore ou electrónica que animam as noites regionais.

Acho que esta opção acaba por ser uma grande mais valia até dentro do cenário de entretenimento nocturno que por aí anda.

Além de dar uma alternativa aos que gostam de ver bandas a tocar ao vivo também cria o habito de ver bandas que praticam diferentes estilos a partilharem o mesmo palco. Sendo que a Madeira é muito limitada neste universo consegue criar um momento mínimo de união musical por entre aqueles que gostam de concertos e animação ao vivo, por momentos deixando até de parte os estilo musicais que estão em palco que gostam ou deixam de gostar.
Não deixando de haver o merecido lugar para os habituais espectadores que frequentam este tipo de eventos para fazer “zapping” às bandas do momento.

Passando à noite deste ano, o alinhamento de bandas foi: Ventos cruzados, Lino P, Forgotten Roads, Negative Rule e Karnak SETI.

Não querendo tirar prestígio aos outros projectos envolvidos nesta noite apenas serão evidenciadas as últimas 3 bandas, visto que são as bandas que a comunidade metalwood mais demonstra interesse e apoia. (Para não falar de “alguém” que chegou com um pequeno atraso ao evento e só apanhou a parte final da actuação de Lino P)



Forgotten Roads


Este projecto ao que parece é algo de recente.
Notou-se que era uma estreia em palco tanto pela apresentação da banda como pela receptividade do público, mas rapidamente quebrou-se o gelo.
Pessoalmente, foi uma surpresa agradável encontrar uma banda nova que conseguísse interligar vários elementos musicais mais clássicos (influências dos anos 60s /70s nas melodias e ritmos) com outros mais recentes (principalmente melodias de voz e construção musical) e conseguir uma identidade própria e o começo do que parece ser um som caracteristico da banda.
(Não sei se era da cerveja mas havia momentos que senti que estava a ver Radiohead e que tinham viajado atrás no tempo e seguido uma outra linha musical.Não sei..)

Negative Rule



Eu sou um bocado suspeita para comentar este tipo de sonoridade porque tenho ainda muito presente bandas do género nos seus 80s/90s.
(Soundgarden, Nirvana, Silverchair, Alice in Chains, Stone Temple Pilots, Pearl Jam)

A ultima vez que os tinha visto actuar deve ter sido há 4/5 anos. Notei um amadurecimento como músicos e como banda mas não senti ainda que tivessem encontrado a sua linha e identidade própria. Penso que estão muito colados ao estilo Grunge e aos clichés que os representam, mas também compreendo que este tipo de estilo é dificil de praticar porque tanto são facilmente comparados com bandas do mesmo género como da mesma maneira se tentarem fugir muito ao padrão depois já começam a parecer algo completamente fora do género. A actuação não foi má de todo pois muita gente acompanhou a banda em palco mas a previsibilidade musical gerou alguma monotonia aos ouvidos dos espectadores que pouco conhecem da banda.


Karnak SETI


Alguns fãs desta banda que por lá andavam estavam inquietos para que iniciassem a sua actuação e como por esta hora já as crianças e os avós tinham ido dormir parece que não houve grande hesitação em iniciar o seu set em grande potência.

Actualmente em intervalo de gravações esta banda pareceu-me ter aproveitado para apresentar na sua setlist desta noite temas de 2004 até aos temas recentemente editados no EP de 2008, já não assistia uma actuação também há algum tempo e fiquei um pouco surpreendida com o amadurecimento vocal (flexibilidade melódica, abrangência e projecção de voz), acho que é um dos factores que ajudam a completar uma melhor coesão e identidade musical desta banda. (Se bem que "leaders of emptiness ha ha ha ha!" foi algo que não percebi)
Apesar da hora e do pouco público que restava houve uma grande adesão por parte do público ao acompanhar esta banda.

Em relação à qualidade de som e detalhes técnicos (e como não percebo nada disso e não acho que seja responsabilidade das bandas) acho que não houve nada de dramático que arruinasse nenhuma actuação.

De modo geral foi uma noite bem passada, já fazia algum tempo que havia um concerto com bandas deste género ao ar livre por cá, o que é sempre agradável.

Parabéns à organização do evento e parabéns as bandas.
(Evandro sei que tu és o manda-chuva desta coisa por isso vão créditos especialmente para ti. Esperava era que o anfitrião aparecesse em roupa formal em palco. haha! )


Agora achei mal foi ter acabado o concerto e já não haver ninguém a vender pão com chouriço e o mítico, bolo do caco com manteiga de alho! Afinal?

Texto: Laetithya
Fotos: Laetithya & Mortisa

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Entrevista a Through Darkness

Through Darkness
www.myspace.com/throughdarknessband



É certo que muitos projectos regionais encontram grandes dificuldades em se estabelecer, até mesmo, em território local: conseguir locais para actuar, recrutar membros, divulgação e exposição musical, locais de ensaio e até mesmo manterem-se no activo por um longo período de tempo.
No entanto a necessidade de expressão acaba por se aliar a diferentes formas de contornar estes obstáculos, e é isso que o Bruno e o Élvio acabam por alcançar com o projecto Through Darkness - mas por quanto tempo?

Enviamos o Joe numa "journey through darkness" para tentar descobrir e aqui está o que ele tem para nos revelar.

Olá! Em primeiro lugar, quem são os Through Darkness? Porquê Through Darkness?

Bruno : Through Darkness é a forma de duas pessoas se expressarem. O nome teve origem nas letras que escrevi há uns anos, que viriam a ser usadas no nossos EP de estreia. Tanto a primeira parte do EP como a segunda relatam tempos negros, cheios de duvida,culpa,isolamento e ódio. Dai escolhermos Through Darkness como nome para a banda, e "A Journey Through Darkness" como titulo do álbum de estreia.

São apenas dois elementos. Isso foi uma opção devido a preferirem assim ou derivado a outros factores? Neste momento sei, por exemplo, que estão que estão procurando baterista, porquê só agora?
Élvio: Inicialmente não foi uma questão de preferência, foi simplesmente como aconteceu. Já conhecia o Shark ( Bruno ) a uns anos, e ele sabia que eu costumava gravar umas demos apenas com guitarra e bateria programada. Isto porque desde o inicio houve uma grande dificuldade em arranjar pessoal que quisesse levar as coisas mesmo a sério. Nessa altura decidi que não iria esperar por ninguém e decidi continuar a gravar as minhas demos.
Em 2006, apesar de eu estar a estudar em Lisboa, e o Shark cá na Madeira, surgiu a ideia de criar algo em conjunto. Ele enviou-me as letras que já tinha escrito, e como me identificava com elas, tudo começou aí. Tudo pareceu tão natural e instável ao mesmo tempo (devido ao facto de estar a estudar em Lisboa e regressar à Madeira apenas nas férias) que seria demasiado complicado tentar forçar a entrada de mais pessoas para a banda, por isso acabamos por compor e gravar o EP com esta formação. Além disso era algo que tinha de ser feito naquela altura, penso que não poderia ter sido de forma diferente.
A razão de procurarmos membros só agora, deve-se ao facto de no passado um de nós estar a maior parte do tempo em Lisboa e o outro na Madeira. Neste momento o Shark também está a estudar em Lisboa, e como tal tínhamos decidido procurar pessoal em Lisboa interessado em integrar a banda. Apareceram guitarristas e baixistas interessados, mas nenhum baterista. No entanto tem-se revelado muito complicado conciliar os estudos com a banda. Sou da opinião de que se queremos fazer algo bem feito, devemos dedicar-nos ao máximo a ela, e não sei se tal será possível nesta fase.

Editaram já em 2008 o Ep "A Journey Through Darkness", que tipo de feedback têm recebido?

Bruno: Bem, ainda não tivemos muitas reacções ao Ep, só mesmo meia dúzia de reviews online. Tendo como base essas reviews, podemos dizer que o feedback tem sido positivo. Mas só vamos poder responder a essa pergunta depois de enviarmos copias do Ep para mais zines, devemos pôr de lado 3 ou 4 dezenas de copias para enviar para revistas e webzines, de forma a ter opiniões diversas do nosso trabalho,alem de divulgar a banda,como é óbvio.

E qual a vossa opinião pessoal sobre este trabalho? Mudavam muita coisa, o que gostariam mais de destacar?

Élvio: Continuo a achar que é um bom trabalho. Penso que compusemos boas músicas e acho que estas estão adequadas para as letras do EP. Há aspectos que não me importava de ver alterados, mas estão mais relacionados com a produção em si, do que com a composição. Claro que há sempre algo que tem de ser feito diferente num próximo trabalho, tem de haver sempre algo a fazer melhor. ("melhor" não sei se será a palavra mais adequada. O que há a fazer são coisas diferentes. Tentar criar algo novo, tentar criar algo que seja mais nosso.

Acaba por ser tudo muito subjectivo na verdade). Gostava que a bateria não fosse programada... na altura não estava minimamente preocupado com isso, mas a verdade é que tira um pouco de alma ao EP. As guitarras... não têm muita potência, até diria que o som é estranho. As vozes... acho que estão adequadas... o Shark fez um bom trabalho a nível vocal, no entanto sabemos que se fosse gravado num estúdio a "sério" ainda iriam ficar mais brutais. No entanto também é de referir que a produção não é tudo... há pormenores nestas gravações mais caseiras que não se obtém num estúdio. É completamente diferente gravar um riff/solo/melodia/whatever quando estás mesmo a sentir aquilo que fazes, do que quando estás simplesmente a tentar reproduzir algo que criaste anteriormente. Mas é mesmo assim... é como em tudo... há sempre vantagens e desvantagens.áha

Como se procedeu a composição/gravação deste projecto? Foi muito difícil conceber e gravar todos os instrumentos por se tratarem apenas de dois elementos?

Élvio: A composição começou pelas letras. Posso dizer que fui influenciado pelas letras. Quando estava a compor as músicas tinha sempre em mente para qual letra em particular é que estava a compor. A composição em si não foi complicada. Foi demorada, mas isso é porque garantimos que gostamos de tudo o que fazemos e também porque não forçamos nada. Deixamos as coisas surgirem naturalmente, até porque isso é o que está por trás de tudo. É quase como uma necessidade. Não quero de forma alguma transformar isto num hábito ou em algo que sou obrigado a fazer. O EP é o que é, porque foi algo que surgiu naturalmente, e foi algo que tinha mesmo de ser feito.
A gravação por vezes tornou-se complicada. Não por sermos dois elementos, mas porque temos uma mesa de gravação com tracks limitadas, o que complica um pouco, quando queremos trabalhar certos pormenores.

Discutem muito? Quem faz o que? E quem decide?

Bruno: Não muito. Ambos decidimos, nunca gravamos nada que não esteja do agrado de ambos, como seria de esperar. As musicas ate agora têm nascido a partir das letras: eu escrevo a letra, e o Élvio trata do instrumental com base na letra. Depois trato da berrada, conforme o Élvio for compondo e gravando o instrumental.

Sei que são influenciados por diversas sonoridades distintas. Liricamente, no entanto, inspiraram-se parcialmente no Kalevala da Finlândia, porque essa opção? Receiam algum tipo de comparação descabida com uma banda como Amorphis pelo simples facto de se inspirarem numa obra já bastante explorada por eles?

Bruno: Não, não receamos qualquer tipo de comparação. Podemos ter a mesma fonte de inspiração, mas o som não tem qualquer parecença. É como comparar Tyr e Amon Amarth, ambas escrevem sobre a mitologia nordica, mas são bandas completamente diferentes. O porque do Kalevala... escolhi escrever sobre o Kalevala principalmente porque me identifiquei com as "personagens" do épico. Ao escrever as letras da segunda parte do Ep (Ilmarinen e Vainamoinen) procurei dar um toque mais humano às personagens, traçar um paralelo entre a minha vida e as "vidas" de Vainamoinen e Ilmarinen.

Outra razão que me fez usar o Kalevala foi o facto do Kalevala não ser uma escolha óbvia. Somos portugueses, temos os Lusiadas, seria lógico escrevermos sobre um épico português e não estrangeiro. O Kalevala diz-me muito mais do que os Lusiadas, por isso a nacionalidade não interessa.
Alem disso, é uma obra pouco usada, como inspiração. Poucas bandas escreveram sobre o Kalevala; lembro-me apenas de Ensiferum, Kiuas e Amorphis. A mitologia escandinava é um tema muito usado,nas letras, mas a mitologia finlandesa ( Finlândia não faz parte da Escandinávia ) é muito rara, pelo menos na musica extrema.

Porque a opção de dividir o Ep em duas partes distintas?

Bruno : Decidimos dividir o EP em duas partes devido às diferenças temáticas entre as musicas. A primeira parte ( faixas 1-4 ) foi inspirada em problemas pessoais enquanto a segunda parte ( faixas 5-8 ) teve como base o Kalevala, épico finlandês.

Decidiram disponibilizar o Ep A Journey Through Darkness através de download gratuito. Porque essa opção? É possível aos interessados adquirir o Ep em formato físico?

Élvio: Decidimos disponibilizar o EP para download por várias razões: primeiro porque os Through Darkness sendo uma banda completamente desconhecida e não tocando ao vivo, necessitamos de uma forma de divulgar o material. Segundo porque a 1ª data de lançamento era para Março de 2007, mas como tive de regressar a Lisboa não pudemos acabar de gravar as partes vocais. A 2ª data seria no fim das férias grandes de 2007, mas surgiram problemas na masterização, atrasando ainda mais o processo. As músicas começaram a parecer-nos velhas, precisávamos de solta-las, e como tal decidimos disponibilizá-las para download. Neste momento faltam pequenos pormenores para lançar o EP. Portanto os interessados poderão comprar o EP em formato físico daqui a algum tempo.

Em relação a concertos ao vivo o que podemos esperar dos Through Darkness?

Bruno: Tocar ao vivo fazia e faz parte dos nossos objectivos, só não sabemos quando será possível fazê-lo. Como o Élvio já referiu, temos vários músicos interessados em fazer parte da banda, só nos falta um baterista, para podermos começar a ensaiar e tocar ao vivo.

E quais os planos que se seguem? Estão a trabalhar em alguma coisa em particular?

Élvio: O Shark já escreveu as letras que supostamente serão utilizadas num próximo trabalho. Eu também já tenho algumas ideias gravadas, mas devido à faculdade tive de parar a composição por uns tempos. Agora neste momento estou a tentar voltar a pegar no material, mas é sempre complicado tentar continuar uma música depois de ter parado durante uns tempos.

Que tipo de bandas costumam ouvir? Até que pontos achas que isso influência a sonoridade Through Darkness?

Bruno : Acho que não tem grande influencia na nossa musica. Quando gravamos o EP, ouvia mais ou menos os mesmos géneros de musica que ouço actualmente : death metal melódico, metal/rock progressivo, folk/ambient...também algum rock alternativo, post-hardcore. Actualmente tenho ouvido mais bandas de post-rock e black metal, como pg.lost,olafur arnalds, wolves in the throne room,alcest,yndi halda,god is an astronaut,upcdowncleftcrightcabc+start e as mesmas bandas que ouço já há vários anos,como in flames,biffy clyro,as hope dies,iron maiden,shadows fall,black dahlia murder,death,protest the hero...
Não sei ate que ponto pode influenciar, no meu caso, porque a variedade é sempre muita.
Por exemplo, agora estou a ouvir Dark Tranquillity, mas há bocado estava a ouvir Thrice...

Parecem publicitar bastante a vossa singularidade. É algo que tentam conscientemente atingir? Não receiam que isso acabe também por condicionar demasiado a vossa direcção?

Élvio: Não sei se tentámos publicitar assim tanto a nossa singularidade. Tentamos fazer algo de diferente, mas temos de começar por algum lado. Não diria que estamos a fazer algo novo, porque não estamos, mas espero bem não estar a contribuir para a estagnação que por vezes se verifica. Mas sim, conscientemente é algo que queremos fazer. Queremos criar algo que acrescente algo de diferente ao que já existe. Existem muitas bandas que se limitam a copiar tudo o que já existe. Aqui é preciso notar que há pessoas que formam bandas porque é fixe, e outros porque é algo que precisam de fazer. E para mim há duas vertentes naquilo que faço: se por um lado sou o pseudo-músico que tenta criar algo de novo e tenta colocar certos desafios, por outro lado sou simplesmente uma pessoa que precisa de expressar algo através da música, e nesta vertente, nem interessará se o que estou a fazer é algo realmente novo... o que interessa é que posso exteriorizar aquilo que me vai na alma, ganhando assim um outro significado.
Apesar de tentarmos não condicionar o nosso som, é normal que existam certos condicionamentos que acontecem naturalmente. Seja porque tentamos fazer algo diferente, seja porque não queremos incluir um certo elemento no nosso som, porque achamos que não encaixa. Só o facto de escolhermos os instrumentos que se usam tradicionalmente no metal já é outro condicionamento. Acho que podemos falar em compromissos e escolhas. Ao longo da composição temos de ir fazendo escolhas que vão limitando o nosso som, o que não quer dizer que seja mau. É bom ter muita variedade, e é algo que eu aprovo, mas é necessário ter uma direcção; é necessário saber para onde ir.

O artwork do Ep de estreia, de autoria de JP Fournier, é um dos aspectos que se destaca logo que se entra em contacto com o vosso trabalho. Como se deu a sua concepção? Até que ponto tiveram influência no artwork? Que significado tem para vocês?

Bruno: Nos tínhamos uma ideia para a capa do EP, falamos com um artista brasileiro, que ja trabalhou com Shadowsphere, que nos disse que o JP era a escolha ideal para este tipo de trabalho, por isso entramos em contacto com ele. So tivemos que explicar a nossa ideia, o JP conseguiu interpretar na perfeição o que queríamos. A capa esta ligada ao titulo do álbum, apesar da "journey" a que o titulo se refere ser uma jornada mental, ao contrario da capa, que representa um homem perdido, sem esperança de conseguir chegar ao fim do seu caminho.

São uma banda com origem no Funchal e em Lisboa, já conheciam o Metalwood? Como vêm a "cena" regional, se é que a vêm?

Élvio: Sim, já conhecia o Metalwood. Acho que é uma boa forma de divulgar o que se faz cá na Ilha, e acho que estão de parabéns, pois sei que é complicado fazer o que vocês estão a fazer. Apesar de já ter passado diversas vezes pelo fórum ainda não me registei desde que houve a "mudança de visual". Quanto à cena regional nem sei bem o que dizer. Ainda por cima, agora passo mais tempo em Lisboa do que na Madeira, mas parece-me que continua a ser uma cena com muito pouca actividade, e infelizmente devido à instabilidade referida anteriormente, nós também não podemos contribuir para uma maior actividade. Ainda assim acho que existe potencial para se fazer algo de decente. É preciso é dedicação.




Este espaço é vosso para qualquer coisa que queiram acrescentar:

Élvio: Obrigado pela entrevista! Desejo boa sorte ao pessoal do MetalWood e já agora às bandas regionais.
Se ainda não tiveram oportunidade de ouvir o nosso EP de estreia intitulado "A Journey Through Darkness" podem fazer o download
aqui

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Entrevista a Headzum


O MetalWood esteve à conversa com Joel - o mentor do projecto “Headzum”. Entre anúncios e revelações, conseguimos desvendar o seu processo de trabalho e quais os conceitos de cada álbum. Este projecto merece sem dúvida todo o nosso apoio, por isso convidamos-vos a descobrirem ou a redescobrirem Headzum.



Olá Joel. Conta-nos para começar quando e porquê surgiu a ideia de criar este projecto?

Olá. Antes de mais gostaria de agradecer as perguntas que me fizeram chegar. Estava a pensar em anunciar algumas coisinhas no meu blogue mas visto que as questões vão muito de encontro àquilo que quero falar, vou optar por anunciar tudo aqui. Quanto à questão: Headzum foi criado em Dezembro de 2006, mais ou menos na altura em que entrei de férias de Natal. Há muito tempo que procurava iniciar algum projecto musical. Tentei a solo e com banda, mas nunca era aquilo que pretendia. Nesta altura conheci a rapariga que é hoje minha namorada, e como Headzum é uma mistura de sentimentos traduzidos em música, decidi que a altura perfeita para me aventurar nesta vida era aquele momento. Desde então não tenho parado: ainda estava a gravar o Maori, e o Anicca já estava a começar. Ia o Anicca a meio e o Harakiri já estava pronto. Acabou o Anicca e ficou o Unicode pronto, ou seja, lancei dois álbuns até à data, mas já tenho outros dois concluídos instrumentalmente. Não posso dizer que seja vício trabalhar na música, porque é algo que faz parte de mim desde bem pequeno. É o que me faz viver e tenho vivido assim, sem parar, desde Dezembro de 2006.



Crias a música sozinho, recorres a algum instrumento propriamente dito ou trabalhas exclusivamente com electrónica?
À excepção dos temas «Zero» e «Myself And God», feitos em conjunto com The9thCell, sou eu quem crio as minhas músicas. A nível de instrumentos costumo recorrer à guitarra eléctrica e aos teclados. O engraçado é que recorro a efeitos de guitarra para dar outro tipo de sonoridade ao que gravo no teclado ou sintetizador. Uma coisa que também gosto de fazer é aumentar ou diminuir excessivamente os tempos ou simplesmente inverter determinado sample e tocá-lo de trás para a frente. A bateria é sempre a primeira coisa a ser feita nas minhas músicas, sendo que por vezes ela mesma é sequenciada por MIDI ou através de samples.



Alguma vez pensaste em juntar uma banda, ou achas que esta forma de trabalho te permite de algum modo ter mais liberdade criativa?
Headzum é um “one-man-project” que conta com vários convidados especiais na voz. Gosto de trabalhar sozinho, mas agora tenho pensado muito seriamente em convidar algumas pessoas para integrar os Headzum como banda. Gostava muito de experimentar trabalhar lado a lado com alguém que tenha as mesmas ambições que eu, e posso dizer que me encontro a tratar disso. Claro que se o fizer, irei impor os limites de sempre. Prefiro dar liberdade criativa aos vocalistas na letra e na forma como cantam os temas, mas há certo tipo de coisas que não gosto que ninguém mexa.



Contas com a participação de diversos convidados (The Skilled Criminal Minds). Como surgem estas participações em “Anicca”? Fala-nos um pouco dos vários artistas que fazem parte deste álbum.
Para a gravação deste álbum contei com algumas presenças, todas elas fantásticas e que sem dúvida não se ficarão por aqui. Headzum acolheu uma vez mais o David (The9thCell / Ashes), já conhecido do meu EP Maori, que uma vez mais provou que dele não posso esperar nada, pois por muito que espere ele vai sempre exceder as minhas expectativas. No «Anicca» fizemos dois temas em conjunto, o «Zero» e o «Myself And God». Conheci-o aquando das gravações do meu EP Maori. Andava à procura de vocalistas e iniciei uma campanha chamada “I Want You To Join HEADZUM”. O David viu o flyer, respondeu e iniciamos de imediato uma coligação forte e única que está aqui para durar. Foi o único vocalista que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, visto que somos da mesma terra. Já o vi ao vivo com os Ashes e apesar de ao fim de três músicas a actuação ter sido cancelada devido ao mau tempo, posso dizer que o estar ali a vê-lo, com a sua garra e voz única, foi muito especial. Apesar de conhecer o trabalho dos Ashes, estava sempre à espera que a qualquer momento saísse dali uma «Red Rotten Socks» de The9thCell ou a «SexMurderArt» dos Headzum! Coisa que não aconteceu mas que me fez pensar em levar este projecto ao vivo. Para outros dois temas, sendo eles «Vedayita» e «Proud New Life», tive a maravilhosa presença da Rita (Edern / Anderskor). A Rita tem uma voz poderosa. Aliás, qualquer um que cante em Headzum a tem. Isto claro, se não contarmos comigo! O que me espantou na Rita foi termos tido uma educação tão diferente e ao mesmo tempo termos tanto em comum. Outra amizade que tem crescido bastante à conta da música. Foi muito complicado para ela terminar a música «Proud New Life», devido a problemas pessoais. Mas não me deixou ficar mal mesmo quando devia e deu-me uma das maiores provas de amizade que pude testemunhar! Para finalizar, foi preciso o João Santos (também conhecido por Gonny dos Glass City Radio) ter aparecido no Domingo de Páscoa para gravar o tema que andou de vocalista em vocalista por meio ano e nunca ninguém o terminou: «Revolution». Tal como todos, ele próprio teve também direito à liberdade criativa para escrever a letra mediante o tema que eu dei e na forma como haveria de inserir vocais, efeitos e segundas vozes. Aprecio bastante o trabalho dele. Ao contrário de Edern e The9thCell, já o conhecia antes de o ver a trabalhar comigo. Não o convidei antes por achar que não fosse resultar, pois criamos géneros musicais algo diferentes. Mas resultou e muito bem e espero contar com ele numa próxima. Já na arte, e para finalizar porque a resposta começa a ficar extensa, Headzum acolheu Hanna Dianow e Isabel Sanches para as capas dos singles e claro, como não podia deixar de ser, a minha namorada, Cátia Cunha, que partilhou o seu doce talento poético no livro do álbum.



Tendo em conta a diversidade existente, suponho que tenhas algumas influências bem distintas. Consigo por exemplo vislumbrar em “Revolution” alguns toques menos barulhentos de Alec Empire ou dos seus Atari Teenage Riot, ou em “Zero” alguns tiques de M.Manson ou até a referência mais óbvia a White Zombie através da cover da “Blood, Milk and Sky”. Esses nomes dizem-te alguma coisa? Que tipo de som costumas ouvir? Quais são as tuas referências principais?

Inexplicavelmente, sempre que falam comigo sobre influências e mencionam bandas, a verdade é que na maior parte das vezes, e como é aqui o caso, nem as conheço e mesmo que conheça pouco ou nada tem a ver. Quando fiz a «Revolution» e iniciei as conversações com o Gonny para inserir os vocais, ambos falamos num só nome: Rage Against The Machine. E penso que essa seja a principal influência deste tema, quer liricamente, quer instrumentalmente. Não me inspirei em nada Industrial para os sons «Zero» e «Myself And God». Tenho como inspiração bandas como Rammstein, Die Krupps, KMFDM, White Zombie… e não em Nine Inch Nails ou Marilyn Manson, apesar de apreciar bastante o trabalho do Manson. Coisa que já não posso dizer de NIN, apesar de respeitar o projecto. Para além disto, tenho como bandas favoritas os Queen, Nirvana, Soulfly, Pantera, Metallica e Sepultura, o que é estranho se tivermos em conta o tipo de som que pratico, pois seria de esperar algo semelhante a esses nomes que referi e no entanto está muito longe disso.



Em relação à cover de White Zombie... porquê White Zombie?
E porquê a “Blood, Milk and Sky”?
Inicialmente ia homenagear os KMFDM com uma cover, no entanto a coisa não correu muito bem e fiquei-me pelos White Zombie, que são sem dúvida alguma, uma das minhas maiores influências. Gostava de ter conseguido ter feito outros temas, quer dos White, quer do próprio Rob Zombie mas já não houve tempo. A «Blood, Milk and Sky» mexe muito comigo quando a ouço. É daquelas que me faz arrepiar dos pés à cabeça. Juntando-se a isto o facto de os vocais serem simples e falados em vez de cantados, e uma vez que teria que ser eu o vocalista pois já não havia tempo para fazer algo mais elaborado ou falar com alguém, optei por esse tema. Penso que, instrumentalmente, esta faixa se enquadra bem em todo o espírito do Anicca.



Tens planos para transportar Headzum para os palcos?
Sim, tenho. E ainda bem que falam nisso. Apesar de já ter dito anteriormente que iria levar Headzum aos palcos e um tempo depois o ter desmentido, a verdade é que, agora mais do que nunca, estou decidido a planear uma mini-tour e conduzir Headzum a outros cantos. Não pretendo, para já, afastar-me muito da minha localidade, mas estou já a delinear uma possível apresentação e a tratar de arranjar alguns elementos para me acompanharem. Não sei para quando, visto que a vida neste momento está complicada e preenchida. Gostava mesmo muito de apresentar o meu próximo álbum, Unicode, ao vivo, e é nisso que estou a trabalhar.



Este álbum encontra-se disponível para download gratuito. Suponho portanto que tenhas uma boa relação com a Internet e com toda a problemática dos downloads. Qual a tua posição em relação a este tema?
A Internet é sem dúvida alguma, o maior meio de promoção musical para alguém que, enfim, poucos meios tem. Visto que ainda não dou concertos ao vivo, não tenho a possibilidade de ver o meu nome a figurar num cartaz e apelar ao público que me venham conhecer. Não consigo, também, chegar a um número maior de ouvidos e ver o meu nome a ser mencionado nas conversas do dia seguinte. Não tenho editora, e deste modo não consigo, também, ver o meu trabalho ser distribuído pelo país fora. No entanto, não tenho intenção de fazer de Headzum um projecto cujo objectivo é ganhar dinheiro. Com a internet, mesmo gratuitamente, consigo fazer chegar um álbum a todo o Mundo. Contudo, esta tarefa é muito complicada, pois requer muito esforço, tempo e acima de tudo muita paciência, para passar horas e horas a promover um álbum na Web. Se eu vendesse, venderia uma dezena de unidades de álbum para álbum. Com esta “problemática” dos downloads, e deva-se dizer que eu não considero isso um problema, consigo, numa semana, passar dos 100 downloads. Para as bandas mainstream, compreendo que a internet seja um problema. Mas a maior parte do dinheiro que se faz é na estrada, e se querem realmente conseguir vender, que lancem os álbuns com algo apelativo e de diferente. Grande parte das bandas optam agora por lançar um CD com um DVD grátis ou um livro, o que já é bom. Há até aquelas que lançam um livro com o CD de oferta. Deste modo o IVA fica muito mais baixo e já não vai causar tantos problemas à carteira do Português.


Quem são “Os Porcos a Valer”? De que modo está esse projecto relacionado com Headzum, ou vês ambas as coisas como sendo totalmente dissociadas?
“Os Porcos A Valer” são uns desenhos animados, criados por mim e por um grande amigo meu, Tiago Rocha. Ambos somos técnicos de multimédia e temos um gosto especial pela animação e por conteúdo menos próprio. Penso que o nome já explica tudo! São desenhos animados baseados na nossa vida escolar, com algumas situações reais e outras fictícias ou bastante exageradas. Temos audições com a TV e temos vindo a preparar um episódio piloto desde o ano passado para negociar com algumas estações televisivas. Como há muito que pretendo fazer um videoclip animado, decidi pegar nos Porcos A Valer e, juntamente com o Tiago, desenhamos a minha banda, com personagens fictícias. Antes de surgir o vídeo propriamente dito, e se é que vai mesmo surgir, estou a preparar pequenos sketchs onde apresento os Headzum & The Skilled Criminal Minds em desenho.



Preparas um vídeo-clip para o tema “Vedayita”. Porquê a escolha deste tema? Como está sendo realizado? Qual o conceito do mesmo?
O tema “Vedayita” foi escolhido para a realização do vídeo pois é um tema bastante cru a nível instrumental e que possui uma mensagem muito forte liricamente. O vídeo está pronto e vai estrear em breve. Infelizmente não pude contar com a presença física da Rita (Edern), mas lá dei a volta ao guião e até que ficou bonito (eheh). Foi realizado, produzido, editado e filmado por mim, estando eu também a representar as personagens existentes. Tive a ajuda da minha namorada, a Cátia, nas filmagens e nos planos. O Anicca é sobre a minha vida, daí que o vídeo também não poderia deixar de ser. Conta a história de alguém que sonha demais. Alguém que prefere ir deixando a realidade e acaba por ser sugado para um mundo completamente imaginário. Acho que vão perceber melhor quando virem o vídeo.



Planeias divulgá-lo pelos meios de comunicação ou apenas pelos meios cibernéticos habituais?
O vídeo será apenas divulgado na internet, pelo youtube e myspace. Nada de mais.



“Anicca” tem algo a ver com inconstância, certo? Poderá de algum modo essa palavra descrever a variedade de sons e pessoas contida neste trabalho? O que querias transmitir com essa palavra?
De facto, o álbum apresenta uma variedade de sons ao longo da sua extensão. E tal teria que acontecer, uma vez que é sobre a minha vida. O Anicca fala muito dos meus sentimentos, da minha relação com a religião e principalmente da minha educação. Fui educado como alguém que não sou e foi preciso muito esforço da minha parte e de grandes amigos meus para conseguir ir mudando isso. Foi preciso apagar muita coisa da memória e começar a vida de novo mais do que uma vez. Felizmente agora está a ir pelo caminho certo. Muito complicado, mas está.


E Headzum, o que significa?
Até à data Headzum apresenta três significados. O primeiro é uma mistura dos nomes de dois guitarristas: Brian Welch (Head / Korn) e Timothy Lincoln (Zim Zum / Marilyn Manson). O segundo, foi escolhido nas gravações do Maori e significa “Hollow Emotion Art Device / Zombie Urged by Madness”. E finalmente, o terceiro, representa a inicial de cada álbum previsto para Headzum: Harakiri; Endless; Anicca; Delos; Zodiakus; Unicode; Maori.



Sendo este um Blogue feito por pessoas da Região Autónoma da Madeira, costumamos perguntar aos nossos convidados o que conhecem desta ilha, a nível musical ou qualquer outra coisa que aches relevante?
A primeira coisa que me vem à cabeça é o Alberto João Jardim eheh. Não conheço a ilha mas está nos meus planos visitá-la assim que possa. Musicalmente conheço muito pouco. Gosto dos Raiva!!!



Que conselhos dás a quem quiser enveredar por um método de trabalho próximo ao teu? Que tipo de material utilizas, como te organizas?

Não querer lucrar com a música ao início acho que é uma boa dica. Uma coisa que faço é nunca procurar um público-alvo, pois gosto de chegar a toda a gente. Da mesma maneira que não quero que rotulem Headzum, eu próprio não gosto de rotular o público. Uso bastante software para a concepção dos meus temas, e algum hardware. Acho que cada um deve procurar tocar aquilo que sente e não enveredar por um determinado caminho só porque está na moda ou porque pode dar dinheiro. Simplesmente vão experimentando coisas. Não apressem nada. A música para mim é uma paixão e trato-a como tal. Dou-lhe atenção, dispenso tempo para ela, tento não me aborrecer, e claro, gosto de mostrá-la ao Mundo.



Para terminar deixo este espaço para que possas dizer o que te apetecer a quem te apetecer da forma que achares melhor. Obrigado Joel e Rock On!
Muito obrigado pela oportunidade que me deram, muitos parabéns pela iniciativa e continuem a promover o que de bom se faz na nossa grande nação. Quero também dar um beijinho muito especial à minha pequenina! Obrigado por tudo. E é só. Vivam o sonho. Não sonhem a vida.




http://www.myspace.com/headzum


Entrevista por Joe

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ruby (Witchbreed) on MetalWood


É com muito gosto que finalmente conseguimos uma entrevista com a Ruby, actual vocals de Witchbreed.

Nas suas palavras revela-se o notório desenvolvimento pessoal e musical resultante das suas aventuras pelos territórios lusos.
A Ruby é um excelente exemplo de sucesso insular "lá fora", atrevendo-se a por de parte todo e qualquer criticismo à falta de apoios e limitações regionais e conseguindo alcançar um patamar invejável a muitos projectos nacionais.

Olá Ruby. Começo pelo cliché de pedir que nos apresentes a banda de forma mais ou menos resumida.
Olá Joe, olá a todos no fórum MetalWood! Os Witchbreed são uma banda com 4 rapazes e uma menina, que juntaram-se um a um para praticar um tipo de metal pesado e ao mesmo tempo mainstream, vão fazer em Agosto 2 anos de banda. Neste momento encontram-se a gravar o seu debut álbum que está a ser produzido pelo Waldemar Sorychta e o álbum de nome «Heretic Rapture» estará nas lojas no Outono deste ano.

Os Witchbreed são:

Ruby: Vox
Ares: Baixo
Dikk: Guitarra
Filipe: Guitarra
Hollow: Bateria


Tu mudaste-te da Ilha da Madeira, onde cantavas nos Extreme Attitude, para o território Continental, algum tempo depois apareces com este novo projecto. Como aconteceu tudo isso?
Bem…eu passei a viver em Lisboa, e estava a ressacar muito do palco e dos meus irmãos de Extreme Attitude, certo dia para minha surpresa recebo um e-mail do Ares a perguntar se eu gostaria de fazer uma audição para um projecto que ele estaria a fazer com o Dikk, o engraçado foi que eles pensavam que eu ainda residia na Madeira. Eu na altura não podia cantar porque tinha um aparelho de ortodontia nos dentes e um expansor de maxilar (creppy han?) (risos), e não poderia cantar durante quatro meses, eles esperaram por mim. A primeira coisa que fiz depois de ter retirado o expansor de maxilar foi ligar ao Ares e marcamos a audição. Cheguei ao Medusa Lab e estava o Dikk sentado no seu cadeirão e fizeram-me uma carrada de perguntas, mostraram-me as músicas, e disseram-me para tentar gravar uma parte de uma delas, escusado será dizer que eu estava uma pilha de nervos, de aparelho nos dentes e sem cantar há meses, mas mal abri a boca saiu tudo muito bem, e passados dois dias, eu era oficialmente a vocalista de Witchbreed!


Em termos de adaptação como correu? Tiveste alguma dificuldade em especial? Notas muitas diferenças na maneira de estar na música entre as pessoas da Ilha e as pessoas com quem te foste entretanto cruzando?
A adaptação ao início foi complicada, métodos diferentes de ensaiar e trabalhar. A dificuldade foi mesmo a adaptação ao método de trabalho, mas com o tempo aprendi a gostar e agora não quero outra coisa!

Sim, devo dizer que principalmente no mundo do metal, eu prefiro muito mais os meus queridos Madeirenses, não é que os daqui sejam todos assim, mas na Madeira sempre me tiveram respeito - era a única miúda a fazer metal progressivo. Aqui quando saiu Witchbreed viam-me como mais uma miúda frágil e até chegaram a comentar que não era eu a cantar no álbum; que eu só teria doado a imagem. Enfim. Tudo caiu por terra quando começamos a actuar e viram que a menina afinal era uma Mulher!

E os Madeirenses são muito mais bem-humorados! Em Witchbreed há dois Madeirenses, muita gente não sabe mas o Filipe guitarrista é Madeirense!


Estão neste momento em fase de pré-produção do vosso álbum de estreia. Esse trabalho conta com o conceituado Waldemar Sorychta no cargo de produtor. Como tem corrido até agora, e quando será efectivamente registado esse novo álbum? Como se sentem ao trabalhar com alguém já com a experiencia que tem o Waldemar?
As gravações têm corrido bem, já temos gravadas as linhas de bateria, o álbum irá sair no Outono de 2008, ou seja no máximo em Outubro já cá anda! O Waldemar tem sido um produtor a 100%, foi essencial na pré-produção do álbum, modificou algumas coisas para muito melhor, as nossas músicas ficaram mais directas e fortes. Ele como pessoa é super bem-humorado, basta ir ao youtube e ver os vídeos da pré-produção que lá postamos. O Ares já teria trabalhado com o Waldemar em dois álbuns de Moonspell, daí também acharmos que o Waldemar seria a pessoa indicada para levar a nossa música a outro patamar!


Apostam numa imagem forte e bem cuidada. Fazem-no apenas pelo gozo, ou acham realmente que esse é um aspecto cada vez mais relevante nos dias que correm?
Sim, a nossa imagem é muito cuidada, não, não é por gozo! Eu sou extremamente picuinhas quanto à imagem e eles confiaram em mim para indicar um caminho a seguir. Nos nossos dias é cada vez mais relevante uma banda ter uma imagem forte, sendo vocalista mulher de uma banda de homens, não queria cair na velha foto com os vestidos de renda e a carinha angelical…


Noto por exemplo uma certa inclinação para uma estética relacionada com a Banda Desenhada e até porque não com o Cinema. Foi algo muito pensado? De quem é a autoria das excelentes fotos com que nos têm brindado?
Sim, o conceito das primeiras fotos foi a B.D estilo Marvel, pois foi daí que veio o nome Witchbreed, de um Comic Book da Marvel! Foi algo muito pensado, tivemos reuniões com o Carlos - o fotógrafo - e entre as nossas ideias e as dele conseguimos fazer o que podem ver nas fotos! O Carlos, é um grande e talentoso fotógrafo e amigo da banda, aproveito para dizer que ele será o fotógrafo da sessão fotográfica para o álbum de estreia dos Witchbreed!


Em relação ao trabalho de estreia, planeiam algum tipo de renovação a nível estético, ou poderemos esperar uma continuação do que até agora tem vindo a ser revelado?
Sim, irão presenciar uma Ruby morena, deixando a loura a descansar um pouco, o ambiente será ainda mais «Dark» tendo em conta que o álbum é muito obscuro!


Sentes alguma pressão extra por seres uma mulher que canta numa banda de Heavy Metal? Por exemplo, tens algum receio que o teu talento seja de alguma forma menosprezado pelo facto de seres mulher, ou por outro lado que o oposto suceda, e que obtenhas alguma discriminação positiva? É uma pergunta que provavelmente não deveria ter relevância, mas penso que mesmo nos dias de hoje ainda a tem. Qual a tua opinião?
Sim, eu já presenciei esse medo à frente dos meus olhos. Se tens um meio palmo de cara acham que não sabes cantar, que dás só a imagem. E sim existe muita discriminação porque o lugar das mulheres para os «trues» do metal é a cantar com vozinha de rato e serem todas tímidas e bonitinhas. No final do dia o que interessa é a música, se é boa ou não!


Sei que ouves muitos estilos de música diferentes. Que tipo de vocalistas sentes que mais te influenciaram? E que tipo de bandas gostas mais de ouvir?
Sim, eu ouço de tudo um pouco, se os meus ouvidos gostam eu também gosto! Hum.. Sinceramente terei de dizer a Anouk, sempre a admirei desde os meus tempos de Extreme Attitude. Eu sou uma fanática pelo Metal progressivo, e ultimamente ando viciada em Bathory e no projecto do Ihshan!


Como vocalista, que opinião tens de outras “colegas” em Portugal?
Não tenho! Elas fazem o trabalho delas, eu faço o meu!


Assinaram com uma editora que se dedica exclusivamente a bandas com vocalistas femininas - Ascendance Records, não é assim? O que pensas da enorme vaga de bandas com vocalistas “angelicais” que por aí anda? Identificas-te de alguma forma com essa onda? Em que diferem os WitchBreed de todas essas bandas?
Sim, estamos numa editora onde só assinam se fores mulher a cantar! Eu acho que cada vez mais está degradante, cada vez menos aparecem bandas com boas vocalistas e bons músicos. Eu de forma alguma identifico-me com essas senhoras. Eu não tenho voz angelical, não me comporto como tal, logo abomino tais coisas. Witchbreed é logo diferente pela voz, pela atitude e tendo em conta que tenho músicos com background de black metal, thrash metal e metal progressivo, a música logo soa diferente! Principalmente neste novo álbum onde podem também ouvir previews das músicas nos vídeos da pré-produção com o Waldemar Sorychta!


Como funciona o processo de composição nos WitchBreed? Sei por exemplo que quando entraste na banda cantaste em algumas músicas que já estavam compostas previamente. Até que ponto faz diferença cantar em algo que foi feito sem nenhum vocalista em particular em mente e depois outras composições já feitas contigo na banda?
O Ares ou o Dikk ou o Filipe chegam lá com riffs gravam os riffs e desses riffs saem músicas! Sim quando cheguei a Witchbreed já tinham a demo «Descending Fires» pronta! Foi muito frustrante até porque as músicas foram feitas para uma voz masculina, eles nunca imaginaram que iriam acabar com uma voz feminina. E isso nota-se na minha prestação. As músicas novas estão com muito mais “power” e sinto-me em casa, sempre que estão a compor dou a minha opinião e eles são bons meninos obedecem (risos)!


Fala-nos do WitchBreed fan club, o que é, como surgiu?
O Witchbreed fan club surgiu devido a tantas mensagens que recebemos de fans quase sempre americanos a pedir um fan club! Então certo dia enchi-me de paciência e fiz o fanclub! É sempre gratificante ver que tens gente que te admira e que gosta da tua música!


Qual a vossa relação com os meios á disposição na internet, como o Myspace por exemplo?
Foi a internet que nos trouxe o contracto discográfico, não enviamos nada a editoras nenhumas e passado três horas de o novo Myspace de Witchbreed estar online recebemos duas propostas de editoras e aceitamos a da Ascendance Records. O Myspace hoje em dia é o veículo mais rápido da banda, leva a tua música a todo o mundo, e para nós tem sido uma ferramenta perfeita!


Têm tocado bastante ao vivo. Como tem sido a experiência? Planeiam algo para fora de Portugal? Alguma banda com quem sonhem um dia poder vir a tocar?
Tocar ao vivo tem sido sempre uma bela surpresa! Tem corrido muito bem, as pessoas de outros estilos do metal ficam sempre surpreendidas! Sim planeamos tocar por o mundo fora em 2009!

Tanta banda que sonhamos tocar…Sei que o meu baterista vai realizar o sonho dele de tocar com Opeth… hehehe… e eu vou tocar com Evergrey! Hehe…


Costumo perguntar aos entrevistados pelo Metalwood se conhecem algo da Madeira. Neste caso, vou perguntar de que mais sentes falta aqui da Ilha da Madeira? E quando é que os WitchBreed pegam nas vassouras e viajam até ao Funchal para nos atormentar?
Sinto falta do Mar… sinto falta das noites do Reduto, sinto falta dos meus amigos..

Nós voaremos quando houver um convite de alguma entidade regional!


Ok, muito obrigado Ruby, tudo de bom para ti e para os WitchBreed, e parabéns pelo percurso até agora. Ficamos todos certamente a aguardar esse álbum. As últimas palavras são tuas, solta a bruxa que há em ti… hehe..
Meus amigos, muito obrigado pela oportunidade de dar a conhecer um pouco mais de Witchbreed aos meus conterrâneos! E vemo-nos em Agosto algures no bar do metal do Funchal! Hehehe


"Darken all Light... Seduce all Darkness"

Videos da pré-produção :
http://youtube.com/watch?v=yi1GM0FdLv4

http://youtube.com/watch?v=3h4GMj-Z934

http://youtube.com/watch?v=mwWO2PQS1lo


entrevista por Joe

domingo, 25 de maio de 2008

Humanure does...The Tiger Lillies

The Tiger Lillies
New Players Theatre

London, Friday 18 April 2008


“And now for something completely different.”

Bem posso usar essa expressão celebrizada pelos Monty Python na sua série “ The Flying Circus”. Desta vez a actuação que fui ver não se enquadra minimamente no espectro do metal. Os The Tiger Lillies são um trio de músicos que interpretam um estilo muito peculiar de música. Diria que é um cabaret cómico-macabro. Ao estilo de saltimbancos numa casa assombrada de qualquer feira popular que tentam vender entradas para uma viagem ao centro de alguma catacumba.

A única diferença é que os The Tiger Lillies são geniais!

Longe do ambiente de arenas, pavilhões ou bares minúsculos em dia de concerto, hoje dirijo-me ao centro do West End londrino. Um teatro pequeno, acolhedor e muito sóbrio. Sinceramente não esperava encontrar tantas pessoas a assistir à actuação. A casa está praticamente cheia. É impressionante se pensarmos que durante cerca de um mês a banda tem vindo a actuar duas vezes por dia.

No centro do palco um piano de cauda e um stand para fantoches. Do lado esquerdo um violoncelo e um serrote, do lado direito, uma mini bateria e uma sanita.

Devo referir que esta actuação incorpora, para além da banda, um show de fantoches (Punch e Judy) e um show burlesco. O tema é “The Seven Deadly Sins”.

A interacção entre o público e os artistas é enorme. O público corresponde aos pedidos vindos do palco e, pasme-se, vice-versa.

É tempo de começar o show!

Desde bebés pontapeados, prova de fezes humanas, consumo de cocaína, intervenções divinas, intervenções diabólicas e serrotes musicais, tudo vale. E é absolutamente brilhante. Para além de serem músicos, são grandes entertainers. Entre músicas, a artista de burlesco aparece com o cartaz correspondente ao pecado, a que a música corresponde, e participa activamente na actuação. Os fantoches abrilhantam a actuação com as sucessivas piadas sexistas, actos sexuais e actos puramente infernais. As letras das músicas variam desde pedófilos, chulos, mortes, espancadores de esposas, tudo misturado com muito humor macabro.

A nível musical estão impecáveis. Todos os instrumentos são tocados com mestria. Até o serrote musical surpreende.

O público vibra durante toda a actuação e não tira os olhos de palco. Falam com os intérpretes e respondem prontamente aos pedidos dos fantoches e companhia.

Depois de uma hora e meia chega ao fim, uma das mais interessantes experiências musicais que já tive o prazer de presenciar. Os artistas saem de palco e juntam-se ao público junto ao stand de merchandise a conversear e a autografar os cds.

Saio do teatro muitíssimo satisfeito e não perco tempo em mandar uma mensagem a agradecer à pessoa que me apresentou estes artistas. Mais uma vez muito obrigado!

E assim, atravessando a ponte em direcção a Waterloo, decido regressar na próxima semana e ver mais uma vez esta magnífica peça de teatro/concerto. Valeu cada penny!

Humanure does...Octavia Sperati, Danny Cavanagh, Liquid Sky, Adastreia

London Barfly, Wednesday 9 April 2008

Viver numa cidade tão grande como Londres tem as suas vantagens (e as suas desvantagens, como verão mais adiante). Com imensa sorte minha consegui descobrir um concerto com a participação do Danny Cavanagh dos Anahema. Aparição única e especial em Londres. Sendo um fã de Anathema não hesitei em adquirir o bilhete e dirigir-me a um concerto, onde não conhecia as restantes bandas.

Sendo o concerto numa quarta-feira, isto implicaria sair do trabalho e ir imediatamente tentar descobrir o local no meio das ruas de Camden Town.

Para quem nunca lá esteve posso dizer que é um sítio peculiar onde se encontra todo o tipo de “fashion/personality statements”. É um sítio pitoresco com enormes mercados de rua e marcado pelo ambiente “alternativo”, criado pelas pessoas que vão colorindo as ruas.

Voltando ao concerto.

A sala situa-se num primeiro andar, é pequena mas aparenta estar bem equipada para a realização de concertos. O bar ainda não está a funcionar, o que leva ao desespero de imensas pessoas. Mas num ápice, uma banda aparece em palco e começa a tocar. São os Adastreia, a apresentar o seu som. Não sou grande apreciador de metal gótico, e esta banda não me faz mudar de ideias. Eles esforçam-se bastante, a vocalista bem tenta chamar a atenção do público, mas mesmo assim a música não me satisfaz. A voz tipo ópera da vocalista mostra que ela sabe cantar e tem potência para impressionar. Os músicos são competentes, com bons pormenores, mas sem impressionar. Só para fãs.

Após rápida passagem pelo bar, aparecem os Liquid Sky em cima de palco. Muito mais rockeiros que a anterior banda, e mais à vontade em cima de palco. A vocalista mostra uma attitude rebelde em cima de palco e o resto da banda acompanha-a, tornando a sua actuação bastante agradável.
Apresentam musicalmente um som que percorre vários estilos: desde o stoner/doom até dark rock, com algumas passagens por riffs mais rápidos e elaborados. A banda é coesa e com boa presença em palco. O seu esforço valeu a compra de um dos seus cds. Well done!

Segue-se o concerto de Danny Cavanagh. É um “set” acústico que incorpora algumas músicas de Anathema e algumas covers. Após pedir o silêncio das cerca de 150 pessoas que se encontram no recinto, a viagem começa por diversas músicas de Anathema. “one last goodbye”, “temporary peace”, “fragile dreams” são algumas das músicas que são apresentadas. O ambiente criado é muito intimista, e as pessoas presentes estão como que paralisadas pela actuação. Seguem-se covers com a participação da vocalista de Octavia Sperati , que apresenta uma voz quase angélica e muito pouco à vontade em cima de palco. Estar em cima de um palco só com uma guitarra acústica não é para todos.

Voltando à primeira frase desta humilde crónica, a desvantagem de viver numa cidade como Londres é que não há transportes públicos a toda a hora e, para quem vive nos arredores como eu, é altura de me por a caminho de casa. Não assisti ao concerto de Octavia Sperati. Fica para a próxima.

Numa análise final posso considerar-me extremamente satisfeito, pois assisti a uma actuação brilhante de um artista já com provas dadas e descobri mais uma boa banda que de outro modo nunca iria descobrir. Afinal de contas é para isso que existem concertos.

De volta às ruas de Camden Town, agora muito menos povoadas, mas com o encanto londrino no horizonte, o frio aperta. As pessoas refugiam-se nos pubs que apresentam uma luz acolhedora e quente. Eu sigo para a estação a tentar escapar do frio e a tentar chegar a casa rapidamente porque no dia seguinte é dia de trabalho. A vida de um apreciador de concertos não é nada fácil.

sábado, 19 de abril de 2008

Entrevista a Sulphur Feast

Sulphur Feast no MySpace

Desta vez estivemos "à conversa" com o vocalista de Sulphur Feast. Esta banda de Pinhal-Novo encontra-se em fase de preparação para o lançamento de um E.P.
Telmo conta-nos sobre as influências e experiências da banda e o que sabe sobre o nosso metal regional.



Entrevistador: Joe
Entrevistado: Telmo Lopes

1. Para começar apresenta-nos os Sulphur Feast. Apesar de a banda ter sido formada em 2005, os elementos que a compõem têm já algum background nestas andanças. Certo?

Saudações, existe algum background por parte dos elementos de Sulphur Feast mas não no meio do metal. Os nossos dois guitarristas e o baixista tocam há muito tempo, mas sempre na base da formação musical deles - clássica. A primeira experiência no metal é a de Sulphur Feast e Nocturnal Reveries (banda onde integram membros de Sulphur Feast) o nosso baterista, esse sim tem algum background de bandas como Agnostic Death, Last Resource e A.S.O.H(Agressive State Of Honour) .

2.Estão neste momento a preparar o lançamento de um E.P. Quando estará disponível, e em que formato (s)?

Esperamos o mais tardar inícios de Maio, existem algumas questões por discutir a volta da edição do mesmo.

3.Optaram por gravar no estúdio de um elemento de Hands on Approach. Como foi essa experiência, até que ponto foi ele importante nesse processo de gravação? Encontraram alguma dificuldade por se tratar de alguém que em princípio estará mais alheio à sonoridade que praticam?

A Escolha do Rui David sucedeu porque ao iniciarmos o Projecto, usamos o Estúdio dele para os ensaios da banda, e para a gravação de algumas demos para consumo interno. O Rui presenciou praticamente a maior parte dos ensaios e o processo de composição. Esse factor levou-nos a partirmos para uma gravação em que ele iria ser o produtor, sempre tivemos confiança no trabalho dele, a experiência correu bem e acima de tudo o que nos interessa é que estamos satisfeitos com o resultado.

4.A sonoridade deste trabalho parece receber influências de diferentes universos dentro do metal mais extremo.
Que tipo de sonoridade procuram? É algo que fazem conscientemente ou o processo de composição é mais espontâneo?

Tudo o que fazemos é pensado e trabalhado ao pormenor, não sou eu que componho os temas, mas sei perfeitamente que o Alberto (guitarrista) tem uma forma muito exigente de compor e perde muito tempo de volta da composição dos temas.

A sonoridade que queríamos para este primeiro trabalho era de peso, as músicas contrastam muito entre o Black e o Death Metal, e admito que Satyricon, Zyklon são duas bandas muito escutadas pelos elementos de Sulphur Feast, o que acaba por influenciar sempre o processo de composição. De futuro e com a experiência que vamos adquirindo (é uma questão de que já se fala), tentaremos libertar-nos das nossas influências musicais.

5.Sei que gostas muito de bandas como Samael, Strapping young lad, e recentemente andas "colado" nos Gojira, hehe.
Até que ponto achas que isso se reflecte no vosso som? Tentas evitar de alguma forma essas influências mais pessoais?

Samael é das minhas bandas preferidas e penso que será sempre! Sou grande fã de bandas que apareceram na altura em que os Samael começaram. E do que se andava a fazer nessa altura, os primeiros dois nomes que me ocorrem é Moonspell e Tiamat. Bandas que me dizem bastante. Os Gojira são uma banda que tenho andado colado, admiro-os muito. Quando ouvi a banda notei umas influências de Morbid Angel, Metallica e Meshuggah na sonoridade deles, além dessas influências - que são muito boas- o que me prendeu aos Gojira foi conseguirem uma sonoridade muito própria - o que aconteceu com Strapping Young Lad que também fiquei “colado” na altura.

6. Que outras bandas são favoritas dentro do colectivo Sulphur Feast?

Emperor, Opeth, Arcturus, Morbid Angel, Death, Moonspell, Celtic Frost, Entombed, The Crown, At the gates, Carcass,Neurosis… é difícil responder a esta pergunta, mencionei os primeiros nomes que me vieram à cabeça…como ouvi um técnico de som há pouco tempo dizer: “cada musico com a sua tara”…ouve-se muita coisa dentro de sulphur feast..eu pessoalmente ouço muita musica tradicional e étnica, musica Árabe e oriental, gosto muito de ouvir o sitar, percussões tribais etc…

7. Uma das primeiras vezes que ouvi o vosso som, inevitavelmente o meu cérebro começou a tentar vos comparar com outros colectivos.
Nomes como Rotting Christ ou até Morbid Angel vieram-me à memória por qualquer razão, algumas melodias levaram-me a um universo mais próximo de uns Paradise Lost por exemplo.
Mas, por vezes parecem ter também uma abordagem algo futurista devido a algumas passagens em que as ambiências assim o sugerem.
Como lidam com as comparações que vão surgindo, e até que ponto concordam ou não com elas? É algo com o qual se preocupem?

Bom, quando estamos a compor, falou-se da questão de comparação de melodias com outras bandas uma vez! Não é uma questão que nos preocupe muito. Todas as bandas no seu começo revelam as influências mais directas.


8.Já tocaram ao vivo? Qual as vossas perspectivas nesse campo?

Já tocamos ao vivo. Neste momento é o nosso principal objectivo juntamente com a divulgação do EP.

9. Com quem adorariam tocar se pudessem escolher? E já agora, onde?

Pergunta difícil, acho que cada um teria uma escolha diferente. Pessoalmente gostaria de tocar com Celtic Frost. O Local…algures pelo Japão!

10. Love? é um tema algo diferente dos restantes. Além do título sugerir uma abordagem a um assunto não muito utilizado por bandas do género, a base instrumental também soa diferente. Fala-nos desse tema, que tem o amor?

O Tema Love? é o que as pessoas mais próximas da banda estão sempre à espera de ouvir quando assistem a um concerto ou quando passam pelos ensaios. Surgiu espontaneamente, até mesmo o guitarrista (Alberto) comentou numa ocasião comigo, que saiu-lhe na altura e que se fosse hoje se calhar não lhe saia tão bem uma musica do mesmo género. Em relação à letra em si…prefiro que as pessoas passem no Myspace ou blog (disponível brevemente) leiam a letra e interpretem.

11.Sei que gostas de voar. Gostavas de ser um Bruce Dickinson Português? Como vês esta digressão que os Iron Maiden estão fazendo, e o conceito nela envolvido?

Adoro voar. Acho a digressão dos Iron Maiden bastante interessante e faz todo o sentido para uma banda com a dimensão que os “MAIDEN” têm. Nos tempos em que ouvia bastante Iron Maiden sabia do facto do Bruce Dickinson possuir o Brevet, mais tarde soube que se dedicou à profissão de piloto de aviação comercial e actualmente, juntamente com o resto da banda estão a juntar o útil ao agradável. É um excelente meio promocional para a tour dos Iron Maiden.

12.Se os Sulphur Feast fossem um avião, que avião seria esse?

DAKOTA DC-3.

13.A minha música preferida de momento é a Suffering Brought The Art. É pesada e algo tortuosa. De que se trata este tema? Colocando a pergunta de outra maneira, achas que o sofrimento é mesmo algo do qual a arte é feita?

A música é uma arte, se estivermos a passar por uma situação de sofrimento porque não olharmos para os factos que provocam esse sofrimento, e deixar que eles sejam fonte de inspiração de uma música?! Acredito que do sofrimento surja Arte.

14. Nesse tema exploras também algumas vocalizações diferentes, vocalizações limpas, e outras que me parecem mais graves do que nos restantes temas. É algo que se poderá ouvir em futuros temas? És adepto da experimentação?

Sou adepto da experimentação desde que faça sentido com a música em questão.
Em relação às vozes limpas poderão ser um dos factores que iremos explorar na composição de novos temas, contrastes vocais.

15. Sei que conheces a Madeira. Conhecias o espaço Metalwood? Conheces algo aqui da Região dentro do metal? O que seria necessário para trazer ao Funchal os Sulphur Feast? Pode ser que algum promotor Regional leia isto... hehe

Bom já tinha ouvido falar da Metalwood através de algumas pessoas que vivem na Madeira que mantenho algum contacto regular. Já fui bastantes vezes à Madeira e é uma região que me diz muito, gosto imenso de ir à Madeira, é dos sítios por onde já passei em que me senti bem recebido e hospedado. Toda a ilha é fabulosa, incluindo o Porto Santo. Foi em algumas das estadias que estive na Madeira que travei contacto com elementos de bandas aí da região como o caso dos Requiem Laus, Karnak Seti, Drawned in tears, Blue Sound Traffic (que se extinguiu com muita pena minha) e actualmente conheço os The Dead Silent. Para os Sulphur Feast irem tocar à Madeira basta um telefonema ou um e-mail e acho que em minutos chegávamos a um acordo para tocar por aí, de preferência com as bandas da terra.

16. Muito obrigado pela disponibilidade, já sabes que o Metalwood estará por aqui para vos ajudar também a promover a vossa arte. Deixo-te este espaço para qualquer coisa que queiras acrescentar.

Votos de boa sorte para todas as bandas da região. Esperamos um dia passar na madeira para tocar com todas essas bandas e bebermos umas valentes cervejas coral e poncha do pescador ;)